O sonho não acabou
Inspirado no poeta e bonequeiro Javier Villafañe, artista autodidata nascido na Argentina em 1909, figura importante do teatro de Bonecos da América Latina, tendo recebido durante sua vida inúmeros prêmios por sua vasta obra.
Durante décadas o artista percorre cidades – vilas da Argentina e países de latino-america, como também Europa, a bordo da sua carroça de sonhos e magia, ”La Andariega”. Por problemas políticos na ditadura argentina fixa sua estadia na Venezuela ministrando oficinas para formação de artistas na arte dos bonecos e na sua poética. Extremadamente fértil na sua carreira, escreve livros e peças para serem apresentados com os bonecos.
O artista conta que nas suas viagens recolhia pedras “para aliviar o peso das montanhas“. A cada nova pedra recolhida, surgia uma nova história a ser contada .
A peça “As Pedras de Javier”, é uma homenagem do diretor Osvaldo Gabrielli ao Bonequeiro Javier Villafañe. O texto traz um jovem misterioso que, após a morte do seu mestre, encena histórias imaginárias do autor, convidando o público a embarcar em uma viagem fantástica pelas histórias mais conhecidas da humanidade. Assim, conta-nos a guerra de Troia, atravessa a Odisseia do rei Ulisses na ilha das sereias, alcança outra ilha mítica chamada Hy Brasil e descendo até o sul do Brasil.
Gabrieli nos traz um espetáculo cheio de magia e emoção. Delicado em todos os detalhes que inclui um cenário e figurinos simples e encantadores.
O cenário virtual, de Tiago Carvalho, acrescenta à montagem a belíssima projeção de Javier Villafane, encantando ainda mais a quem assiste.
A escolha do ator Tay Lopez, integrante da trupe do Xpto, para este solo, mostra-se acertada pelo seu bom preparo corporal, domínio de cena a cada história, além de maduro e carismático, desenvolvendo excelente performance, criando magia e comunicação com o público.
Pleno em cena encanta a cada nova história.
O figurino, os bonecos e os objetos escolhidos estão bem conceituados para cada momento.
A trilha sonora e sonoplastia, de Beto Firmino, pontuam cada cena permeando cada história como uma personagem.
Gabrieli, ótimo diretor-pesquisador, escolhe bem a peça e o tema para os momentos que vivemos .
Os artistas pulsamos o tempo nas nossas 0bras.
Foi feliz em trazer esta pausa de encantamento, poesia e amor à arte. Reflexão e bons sentimentos que permeiam a obra.
Talvez, o que precisamos agora, seja entrar em um túnel do tempo e sentir utopias. histórias mágicas e sensíveis para nos acalmar de tanta violência explícita, latente que nos rodeia.
Assista o espetáculo “As pedras de Javier” .É um obra para todo público – nós, acomodados na plateia de um teatro, num domingo à tarde, em companhia do artista, acreditando em sonhos, utopias, rindo encantados , em paz, mesmo que por poucos e eternos minutos.
Assim como se apresentava o próprio Javier Villafañe, encantando corações e mentes.
Pamela Duncan
Alice Eugenia
Blog Pensamento -www.pameladuncan.art.br
Teatro Arthur Azevedo sábados e domingos 16 horas
Rua Paes de |Barros 955 -gratuito

Add a Comment