Baal, o mito da carne

Entre o céu e o inferno

Bertolt Brecht (1898–1956), poeta, dramaturgo, homem de teatro, teórico das artes e autor de uma poética inovadora, pensador e ativista político, escreve Baal, sua primeira peça, quando tinha 20 anos.

Em Baal, Brecht constrói um personagem cínico, manipulador, que, de modo superficial, se apaixona por homens e mulheres à sua volta. Baal é um homem sem escrúpulos, que consegue seduzir todos a seu redor, seja por suas palavras, seja por sua presença sedutora, envolvendo ao seu redor pessoas ávidas por ouvir o que desejam ouvir e fazer o que Baal propõe que seja feito.

No papel-título, o ator e diretor Marcelo Marcus Fonseca coloca esta peça novamente em cartaz, marcando talvez os tempos cínicos e promíscuos que vivemos — não por acaso, isto acontece assim, seja inconsciente. As histórias se repetem e os personagens também…

O diretor, um homem de teatro incansável, lutando há mais de 30 anos com seu grupo e suas diferentes montagens, nos mostra um espetáculo bem dirigido, envolvendo a plateia, que segue o roteiro exposto, ávida de ver a proposta do diretor.

Como ator, vemos a vasta experiência de Fonseca, dominando a personagem e delineando bem as emoções.

Nesta montagem, acompanhado de um grupo de atores, a maioria do mesmo nível que o diretor, mais no caso dos homens — Daniel Ortega, Marcelo, Josemir Kowalick, Cristiano Sales, Lucas Costa e Leonardo Chaga —, mostram-se experientes nas diferentes personagens que realizam.

A iluminação, de Rodrigo Sawl e Isabella Imparato, muito bem conceituada. A trilha sonora — trilha mecânica: Marcelo Marcus Fonseca e Dedéco —, bem escolhida, marca cada momento da encenação.

Os figurinos, esteticamente simples, pecam pela falta de pesquisa, desenho e pensamento. Não acompanham a proposta de direção e são o ponto fraco da montagem. 

 

Trinta anos na estrada são para os fortes, mas também para os que, em algum momento, se permitem estar fracos. Para aqueles que seguem, mesmo quando as forças parecem faltar. 

É preciso respeitar essa trajetória, porque permanecer de pé não é para os mornos.

 Ao longo desse caminho, passaram pelo palco do grupo espetáculos bons — outros, talvez, que não conseguiram desenhar aquilo que foi pensado —, mas todos foram feitos e mostrados ao público.

A arte e o fazer teatral não são uma fórmula. Erramos, acertamos, criamos, odiamos e amamos nossos trabalhos, mas não desistimos.

Longa vida ao Teatro do Incêndio, ao diretor e ao grupo, que sustentam seus sonhos e utopias na arte para viver e ser.

Pamela Duncan – Blog Pensamento www.pameladuncan.art.br

Pameladuncandiretora@gmail.com.Temporada até Outubro

Alexandre Freitas- revisão

Local: Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista/Bixiga – São Paulo/SP.
Contato: (11) 97592-4743
Instagram: @teatrodoincendiooficial

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