Filumena Marturano

força da mulher em cena

Filumena Marturano é uma peça teatral escrita em 1946 pelo teatrólogo e filósofo italiano Eduardo De Filippo e incluída por ele na coletânea Cantata dei giorni dispari. É considerada uma das obras mais conhecidas pelo público e pela crítica internacional.

Originalmente, a peça foi escrita por De Filippo especificamente para sua irmã, Titina De Filippo, que teve uma ótima atuação interpretando a personagem Filumena. Posteriormente, a obra foi levada ao cinema, com o próprio autor na direção.

A peça aborda a história de Filumena Marturano, ex-prostituta que é amante do rico Domenico Soriano e administra sua confeitaria. Ao saber da intenção de Domenico de se casar com a jovem Diana, agora que sua esposa morreu, Filumena finge também estar à beira da morte e casa-se com Domenico. Mais tarde, revela o motivo de sua mentira: garantir que seus três filhos, aos quais deu à luz anos antes, enquanto Domenico estava em suas frequentes viagens, e cuja existência sempre escondeu, recebam seu sobrenome.

Quarenta anos de trajetória do Grupo Tapa em São Paulo recebem o merecido apoio do Sesi para montar esta comédia para todo o público, conforme o intuito da instituição.

Eduardo Tolentino, o diretor, traduziu o espetáculo em parceria com Maurizio De Simone, diretamente do napolitano, e traz uma proposta de direção leve, na qual a comédia se desenvolve com maestria. Para isso, contou com o experiente diretor e assistente Brian Penido Ros.

No decorrer da peça, senti falta do humor italiano, às vezes sarcástico, que une ironia, tragédia e comédia ao mesmo tempo, na direção das personagens em geral.

O ponto alto da peça está no ator André Garoli, que interpreta Domenico Soriano com brilhantismo. Sua interpretação revela o estudo necessário para compor a personagem. Destaca-se nos textos e nos movimentos, tornando-se o ponto alto da encenação e o melhor ator em cena.

Sandra Corveloni, mais comedida, mostra seu talento no desenvolvimento do enredo. Ainda ajustando os tempos de cada cena, a personagem ousada e destemida, que luta para defender sua cria, revela-se em momentos-chave: leve, mas capaz de encantar a plateia.

Walter Breda, no papel de Alfredo, soma mais de seis décadas de carreira no teatro. Sempre presente em ótimas produções, prioriza o verbo a cada intervenção. Um artista pleno.

Maria do Carmo Soares, como Rosália, traz maturidade à encenação. É uma boa escolha de Tolentino, que reúne artistas que já fazem parte da história do teatro paulista.

Os atores mais jovens, que estão começando sua trajetória, Daniel Volpi, Ivan Nóbrega, Felipe Souza, Ruiz Angellus, Luísa Ferrari e Mari Teixeira, compõem o elenco desta encenação.

O desenho de luz de Wagner Pinto é primoroso, marcando cada cena e ressaltando os momentos dramáticos propostos pela direção.

Nos figurinos de Marianna Baffa, faltou pesquisa e um melhor alinhamento com a proposta geral. Eles não apresentam um conceito claro para esta peça, nem parecem dialogar com a proposta que observamos na direção de Tolentino.

A produção do Sesi é bem cuidada e permite ao artista contar com uma equipe alinhada e todas as condições básicas para um bom produto artístico.

Esta obra é sempre universal, porque o papel da mulher muda e avança devagar, apesar das diferenças de palavras e países. Isso se torna ainda mais significativo no tempo em que vivemos, diante das tentativas de retorno ao obscurantismo em nome de uma “família” que quase nunca existiu tal como é descrita em algumas falas de autoridades políticas e, às vezes, religiosas.

Filumena Marturano mostra essa “moralidade”, na qual tudo se sustenta pelas aparências, permitindo ao “senhor” da propriedade impor sua moral, aceita pela sociedade justamente por ele ser o “senhor”.

O autor coloca na heroína a força da mulher que luta pela sua cria, ama e vence.

Na época em que foi escrita, a peça já apresentava um olhar sobre o sentir feminino.

Assista a Filumena Marturano, uma comédia leve para todo o público, tire suas próprias conclusões e saia comentando se os tempos realmente mudaram…

 

Pamela Duncan

Ale Freitas – revisão

Blog Pensamento — www.pameladuncan.art.br

Colunista da Gazeta da Vila Guilherme — imprensa

Centro Cultural FIESP – Teatro do SESI São Paulo | Av. Paulista, 1.313, Bela Vista – São Paulo/SP Temporada: Até 20 de dezembro | quinta a sábado, 20h; domingo, 19h

Ingressos: grátis

 

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