Para pensar os tempos que vivemos…
Em uma grande empresa rumores sobre a conduta de um funcionário passam a circular entre os colegas provocando um clima de crescente desconfiança e hostilidade.
O tribunal instalado no grupo humano revela medos e interesses de preservar o trabalho e subir dentro da empresa.
Existe um momento em que todos são jogados nesse inferno, aproveitando a oportunidade do “ Agora ou nunca”.
Na investigação ,palavras e fatos são fabricados entre os funcionários; verdades ou mentiras não importa. Surgem sentimentos às vezes até desconhecidos para os participantes, mas é preciso estar a salvo…
Todos acabam envolvidos num processo que foge ao controle racional. São engolidos como uma bola de neve cujas consequências são imprevisíveis.
O tema não é inédito na vida dos seres humanos.
Estes comportamentos não são tão estranhos.
Ao longo da vida já vivenciamos, ou nos contaram, sobre alguma empresa onde aconteceu; ou um grupo humano, se autodestruindo visceralmente, pelo desejo de chegar ao topo a qualquer custo.
O público logo vai se identificando com a trama e, na saída do espetáculo, escutam-se os comentários .
A direção de Kiko Rieser, bem desenhada, minimalista, uma proposta que permite ao público acompanhar a obra atentamente e passar a ser mais um no “tribunal” dos funcionários.
O ator Marco Antônio Pamio , protagonista da peça, está pleno na personagem; dá um show no domínio de cena; de interpretação e força dramática. Em cada texto, brilha mostrando verdade cênica e ótimo trabalho corporal.
Pamio se apresenta como um dos melhores atores da cena paulistana .
O grupo de atores, Camila dos Anjos, Luciano Gatti, Thamiris Mandú acompanha o protagonista nas diferentes cenas , mostrando sentimento e preparo para a obra.
Espetáculo realista bem dirigido, com direção de atores querendo nos encantar e envolver na proposta e trama da obra.
A cenografia minimalista de Bruno Anselmo é perfeita para este texto.
O desenho de luz, de Rodrigo Palmieri, cria os climas precisos para cada fala dos atores .
A Trilha sonora, de Marcelo Pellegini, segue a mesma linha de Palmieri; ao longo do espetáculo encontra o som na cena proposta .
Lucas Sancho, designer gráfico, acerta na imagem que tem várias caras e momentos .
Ao longo da peça pensei em uma frase do grande Nietzsche “Odiamos a fraqueza…por quê? Na maioria das vezes, porque somos necessariamente fracos “.
Teatro Itália – Av. Ipiranga, 344 – Centro. Estreia: 6 de março, Temporada: até 26 de abril. Sessões – Sextas e sábados, 20h, domingos, 19h.
Pamela Duncan
Alice Eugenia
Blog Pensamento www.pameladuncan.art.br

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