Sete minutos – Uma comedia no tempo certo

“Se você me perguntar o que eu vim fazer neste mundo, eu, um artista, te responderei: estou aqui para viver em voz alta. ”Emile Zola Sete minutos -Uma comedia no tempo certo” é uma peça de Antônio Fagundes, como autor e diretor do espetáculo. É uma nova montagem desta comédia, que se inicia com o ator veterano abandonando o palco no meio da apresentação de Macbeth, irritado com celulares e outros incômodos vindos da plateia. Nos bastidores, um drama. O embate entre as condições de atores e público, e os limites dessa nem sempre lúdica convivência. Com humor e crítica, a peça é também uma declaração de amor e respeito à obra, atores e público. O autor e diretor Fagundes, declara o teatro como “o último reduto de humanidade”. Numa época em que a ansiedade de nossas buscas, que olhamos o celular a cada minuto e segundo, se não perdemos algo ali, uma informação “iluminada”, temos também de ver os limites de nossas atitudes, dependendo de onde estamos. Respeitar, artistas e pessoas sentadas ao nosso lado, num espetáculo. Celular é a máquina que nos pega, nos seduz e nos faz escravos de sua luminosidade. E se não somos centrados, nossos pensamentos nos vão conduzir ao apagão social total. Desses perigos é que a peça nos conduz. Antônio Fagundes faz 60 anos de carreira, no teatro, televisão, e na vida artística, assistindo a espetáculos, escrevendo, meditando, chorando, sorrindo e amando sua profissão . Aqui nos mostra seu lado diretor e autor, desenhando sua obra com precisão, encantando a plateia que acompanha o virtuosismo de seu trabalho. A escolha de bons Atores é fundamental para o sucesso de uma peça. No papel principal está Norival Rizzo , uma performance brilhante em cada palavra, em cada gesto. Rizzo é um dos melhores atores paulistanos, conduz e domina a comédia. Ana Andreatta, atriz talentosa, em cena com sua presença marcante, com seu domínio e experiência. Walter Breda nos fala dos atores com muitos anos de profissão, convincente. com seu domínio do verbo. O ponto alto do humor está centrado em Fabio Espósito , com seu tempo de comedia hilariante , mostrando inclusive seu lado clown . Conrado Sardinha, ator mais jovem, expõe seu talento; A artista Natália Beukers se divide como produtora e atriz, abrindo as portas de nova produtora no cenário paulista . Patrícia Gasppar , atriz experiente, numa ótima assistência de direção e braço direito do diretor. O figurino e cenário de Fabio Mamatame e estão bem conceituados A iluminação de Domingos Quintiliano. e a direção de produção da talentosa Sonia Kavantan mostram o profissionalismo já exibidos antes.. O Cultura Artística, que já recebeu nos seus teatros grandes produções nacionais e estrangeiras, sempre abre suas portas para obras de excelentes qualidades, como as desta peça tão divertida. Lembro me de ter assistido sentada no chão do corredor desse teatro, uma aula de Marcel Marceau em sua última viagem ao Brasil e, ao meu lado, Antônio Fagundes reverenciando o mestre. Obrigado Antônio Fagundes e atores que estão entregando sua arte para nos divertir, nesta cidade de ritmo tão veloz quanto os celulares que não param, ritmo que tenta impedir até nosso tempo de nos sentarmos e desfrutarmos de merecido ócio. . A Arte é um momento de esperança, sempre. Ela salva, nos salvou e nos salvará do perigo que percebemos nos conteúdo das mídias eletrônicas e nos comportamentos, palavras e ações violentas dos nossos dias. Vá ao teatro, ao cinema, ao concerto, desligue seu telefone, desfrute o prazer de entrar em outras histórias mágicas ou não, que nos oferecem artistas apaixonados que nos brindam com o amor e a verdade. Pamela Duncan -blog Pensamento- www.pameladuncan.art.br gazeta vila Guilherme ...